
A idéia de fazer um captador com duas lâminas é mais velha do que andar pra frente, mas no caso desse tipo de humbuckers em tamanho de single da Seymour e Dimarzio há uma grande vantagem: como os imãs são pequenos, a atração magnética é reduzida e as cordas vibram com mais naturalidade. Isso melhora a entonação e sustain da sua guitarra. Além de tudo isso esses captadores deixam as guitarras com um aspecto mais moderno.
Eu ouvi o som do Fast Track 1 pela primeira vez numa guitarra de um cliente (uma lindíssima Washburn com configuração HSS com o FT1 no braço) que veio trazê-la pra regulagem. Olhei pra guitarra e pensei: “mais um dos pickups com som de plástico”. Mas essa impressão durou até o momento em que o cara plugou a guitarra e tocou pra me mostrar o quanto a guitarra estava mal regulada. O captador de braço soava como se fosse o single coil mais gordo e cheio de punch do mundo. Olhei pra ele com cara de idiota e perguntei que captador era aquele e ele disse que era o FT1. E olha que a Washburn parecia que tinha sido regulada por um açougueiro e as cordas estavam muito velhas.
No outro dia eu olhei o catálogo da Dimazio e não compreendi bem a proposta do FT1: o catálogo dizia que ele soava como “um single com mais músculos”. O problema é que eu ouvia os sons do Vinnie Moore e não entendi como um captador com pouco médio pode me parecer mais “musculoso”. E como ele usava todo aquele ganho sem que o captador engasgasse como os singles costumam fazer? Ainda mais no braço!
De qualquer maneira eu comprei um o quanto antes e testei nas minhas guitarras. Consegui aquele milagre daquela Washburn! A primeira coisa que me ocorreu ao ouvir os sons é que, sim, ele soa um pouco mais processado e artificial do que um Texas Special da vida, por exemplo. Mas ora, isso não é um problema. Se alguém resolve colocar um FT1 na guitarra é justamente por querer uma coisa diferente de sons “normais” de captadores vintage, concorda? Mas veja: essa característica é muito discreta, não é som de plástico como eu achava antes de conhecer o captador.
Ele tem graves mais magros que o normal pra não engasgar nas cordas graves da sua guitarra. Ele tem brilho o suficiente pra não desaparecer no meio da sua banda. Os médios dele parecem ter sido mais sequinhos de propósito: você pode estar usando distorção num nível de Slayer que o som de captador do braço sempre vai parecer mais limpo e sem gordura demais de médios pra embolar. Quando eu toquei com muito ganho eu entendi em pouco tempo as razões que levam os fritadores a ter um caso de amor com o FT1, mesmo ele não sendo um captador de ganho alto: o fato dos médios e graves serem mais sequinhos fazem com que o som fique claro e não apastelado e embolado. O ataque permanece sempre focado e o punch da palhetada é sempre bem nítido antes da nota começar a soar, os graves são muito consistentes e não são esponjosos (tá vendo como só como soar um pouco processado não é tão ruim?).
E você quer saber as melhores partes? Primeiro: diferente dos humbuckers em tamanho de single de ganho mais alto (Tone Zone S, Super Distortion S, JB Jr. e outros) o FT1 responde bem a dinâmicas de palhetadas e botão de volume. Segundo: timbra magnificamente com níveis médios e baixos de ganho. Terceiro: ele é tão transparente que o som da sua guitarra aparece claramente!
Se você gosta do som da sua strato mas quer um captador de braço mais ofensivo, experimente o FT1. Você poderá aumentar o ganho do seu amp mas o som de single continuará lá quando você usar o canal limpo ou recuar o volume da sua guitarra. Infelizmente isso não acontece com os outros captadores citados.
Testei o FT1 em um pourrilhão de guitarras e em absolutamente nenhuma ele soou mal. Tenha você um bom e velho PAF na ponte ou um Invader (pra citar dois captadores muito diferentes) e quer um captador de braço que te leva a muitas áreas de timbre diferentes sem sacrificar o som natural da sua guitarra, você deve testar um FT1.
Só mais uma observação: onde ele soou melhor foi no braço da Soraia, a minha famosa telecaster que pegou fogo e que timbra insanamente aguda e rachadiça. Coloquei fotos dela nesse post. Essa tele tem um Super Distortion T na ponte.
- Preferi usá-lo para: bombar stratos sem ter que trocar o escudo para colocar um humbucker normal.
- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que palhetadores compulsivos como eu podem ter no FT1 o seu melhor amigo pra posição do braço.
7 comentários:
Prezado Rafael, você escreve reviews para os guitarristas, ou para alguma revista? Porque pra vc tudo é bom! Tudo é "usável", assim fica difícil amigo. Parece review de Guitar Player, tudo uma maravilha...
É só minha opinião, os outros reviews eu li todos, este eu nem vou ler, porque certamente vai ser a mesma coisa, ou é bom pra uso X ou pra uso Y...
Rafael,
LEgal teu blog meu. Meus parabéns.
To comprando uma tele Squier California. Tele, por ser um "shape" que sou apaixonado e Squier por ser barata mesmo e não tão ruim. A grana não dá para uma Fender America.
De qualquer forma, de tele, eu curto apenas o desenho. Eu quero um som mais "Rock and Roll" , onde eu possa passear, pelo Blues, Classic Rock, Hard Rock anos 80 e etc.
Sendo assim pensei em "tunar" a guitarra colocando um Humbucker na ponte. Pensei no Alnico Pró II Plus e no JB. O que acha?
Pensei em trocar o single do braço também. Gostei do teu comentário sobre o Dimárzio FT1, porém, acha que eu poderia ficar com single no braço? O que indicaria?
Um abraço
Iverson
Aoew Rafael... Teste esclarecedor, parabéns... O fast track tem mais de um modelo... QUais são as diferenças entre esses modelos???
VAlew... Parabens pelo blog... tá excelente...
Caro,
tenho uma guitarra semi-acústica bem antiga da gianinni, sem captadores. gostaria de comprar humbunkers para ela. meu irmão está vindo dos EUA e gostaria de encomendar um. alguma sugestão.
muito obrigado
peri
Opa cara, muito bom oteu blog!
Eu queria que vc fizesse mais reviews de captadores de marcas nacionais, tais como a linha tradicional HB da Sound, os Cabrera e os outros do Sergio Rosar. Acho que a maior dificuldade pra maioria das pessoas que tocar guitarra é justamente encontrar algo que seja bom mas com um preço acessivel!
Um abraço!
Cara muito legal mesmo, tudo. Concordo que tem ouvido pra tudo.
Fiquei interessado em ver que é de fortaleza, sou um guitarrista meio desiludido que umas vezes pensa em investir no som e em outras em vender tudo. Sou de Fortaleza, mas moro no interior do Ceará, em Viçosa, queria saber onde que tu trabalha.
Tenho uma Washburn x24dlf e toco em uma bandinha de metal que achei por aqui, bem amadora, mas dá pra se divertir. As vezes dá mais raiva do que divertimento, mas a gente vai levando.
Apesar de a banda ser de metal meu gosto vai mais do rock,n roll ao hard rock. Não quero que a guitarra vire uma monstra, mas não quero matar ela. Queria presença nos solos e também tem um belo som limpo. já Pensei muito no tone zone, mas não cheguei a uma definição. Assim que der levo ela aí.
Valeu
Manda resposta para:
andrezincarvalho@yahoo.com.br
Olá Rafael
Gostei muito do seu blog e tenho algumas duvidas
Curto um Hard Rock e tenho uma Jackson PS-2 (HSS)
1. É uma boa guitarra? Preciso comprar outra pra conseguir uma sonoridade anos 80 (Hard Rock, AOR, Shred)
2. Encomendei um TB-6 da Seymour Duncan pra envenenar a criança e achei que seria interessante colocar o Fast Track 1 também, qual vc me recomendaria pra fechar o set?
Meu e-mail é gugahardrock@yahoo.com.br
Agradeço a ajuda sou bastante leigo em timbres e sonoridades
Abraço
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