quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dimarzio Fast Track 1 (DP181)



Até um tempo atrás eu não dava nenhuma credibilidade aos humbuckers em tamanho single. Parte dessa descrença veio de experiências ruins que tive com os humbuckers em tamanho single da Seymour (os JB Jr. e Litlle 59 aí da vida). Tanto que demorei anos pra me interessar em testar os Dimarzio.

A idéia de fazer um captador com duas lâminas é mais velha do que andar pra frente, mas no caso desse tipo de humbuckers em tamanho de single da Seymour e Dimarzio há uma grande vantagem: como os imãs são pequenos, a atração magnética é reduzida e as cordas vibram com mais naturalidade. Isso melhora a entonação e sustain da sua guitarra. Além de tudo isso esses captadores deixam as guitarras com um aspecto mais moderno.

Eu ouvi o som do Fast Track 1 pela primeira vez numa guitarra de um cliente (uma lindíssima Washburn com configuração HSS com o FT1 no braço) que veio trazê-la pra regulagem. Olhei pra guitarra e pensei: “mais um dos pickups com som de plástico”. Mas essa impressão durou até o momento em que o cara plugou a guitarra e tocou pra me mostrar o quanto a guitarra estava mal regulada. O captador de braço soava como se fosse o single coil mais gordo e cheio de punch do mundo. Olhei pra ele com cara de idiota e perguntei que captador era aquele e ele disse que era o FT1. E olha que a Washburn parecia que tinha sido regulada por um açougueiro e as cordas estavam muito velhas.

No outro dia eu olhei o catálogo da Dimazio e não compreendi bem a proposta do FT1: o catálogo dizia que ele soava como “um single com mais músculos”. O problema é que eu ouvia os sons do Vinnie Moore e não entendi como um captador com pouco médio pode me parecer mais “musculoso”. E como ele usava todo aquele ganho sem que o captador engasgasse como os singles costumam fazer? Ainda mais no braço!

De qualquer maneira eu comprei um o quanto antes e testei nas minhas guitarras. Consegui aquele milagre daquela Washburn! A primeira coisa que me ocorreu ao ouvir os sons é que, sim, ele soa um pouco mais processado e artificial do que um Texas Special da vida, por exemplo. Mas ora, isso não é um problema. Se alguém resolve colocar um FT1 na guitarra é justamente por querer uma coisa diferente de sons “normais” de captadores vintage, concorda? Mas veja: essa característica é muito discreta, não é som de plástico como eu achava antes de conhecer o captador.

Ele tem graves mais magros que o normal pra não engasgar nas cordas graves da sua guitarra. Ele tem brilho o suficiente pra não desaparecer no meio da sua banda. Os médios dele parecem ter sido mais sequinhos de propósito: você pode estar usando distorção num nível de Slayer que o som de captador do braço sempre vai parecer mais limpo e sem gordura demais de médios pra embolar. Quando eu toquei com muito ganho eu entendi em pouco tempo as razões que levam os fritadores a ter um caso de amor com o FT1, mesmo ele não sendo um captador de ganho alto: o fato dos médios e graves serem mais sequinhos fazem com que o som fique claro e não apastelado e embolado. O ataque permanece sempre focado e o punch da palhetada é sempre bem nítido antes da nota começar a soar, os graves são muito consistentes e não são esponjosos (tá vendo como só como soar um pouco processado não é tão ruim?).

E você quer saber as melhores partes? Primeiro: diferente dos humbuckers em tamanho de single de ganho mais alto (Tone Zone S, Super Distortion S, JB Jr. e outros) o FT1 responde bem a dinâmicas de palhetadas e botão de volume. Segundo: timbra magnificamente com níveis médios e baixos de ganho. Terceiro: ele é tão transparente que o som da sua guitarra aparece claramente!

Se você gosta do som da sua strato mas quer um captador de braço mais ofensivo, experimente o FT1. Você poderá aumentar o ganho do seu amp mas o som de single continuará lá quando você usar o canal limpo ou recuar o volume da sua guitarra. Infelizmente isso não acontece com os outros captadores citados.

Testei o FT1 em um pourrilhão de guitarras e em absolutamente nenhuma ele soou mal. Tenha você um bom e velho PAF na ponte ou um Invader (pra citar dois captadores muito diferentes) e quer um captador de braço que te leva a muitas áreas de timbre diferentes sem sacrificar o som natural da sua guitarra, você deve testar um FT1.

Só mais uma observação: onde ele soou melhor foi no braço da Soraia, a minha famosa telecaster que pegou fogo e que timbra insanamente aguda e rachadiça. Coloquei fotos dela nesse post. Essa tele tem um Super Distortion T na ponte.

- Preferi usá-lo para: bombar stratos sem ter que trocar o escudo para colocar um humbucker normal.

- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que palhetadores compulsivos como eu podem ter no FT1 o seu melhor amigo pra posição do braço.

8 comentários:

Raziel disse...

Prezado Rafael, você escreve reviews para os guitarristas, ou para alguma revista? Porque pra vc tudo é bom! Tudo é "usável", assim fica difícil amigo. Parece review de Guitar Player, tudo uma maravilha...

É só minha opinião, os outros reviews eu li todos, este eu nem vou ler, porque certamente vai ser a mesma coisa, ou é bom pra uso X ou pra uso Y...

refletindo disse...

Rafael,

LEgal teu blog meu. Meus parabéns.

To comprando uma tele Squier California. Tele, por ser um "shape" que sou apaixonado e Squier por ser barata mesmo e não tão ruim. A grana não dá para uma Fender America.

De qualquer forma, de tele, eu curto apenas o desenho. Eu quero um som mais "Rock and Roll" , onde eu possa passear, pelo Blues, Classic Rock, Hard Rock anos 80 e etc.

Sendo assim pensei em "tunar" a guitarra colocando um Humbucker na ponte. Pensei no Alnico Pró II Plus e no JB. O que acha?

Pensei em trocar o single do braço também. Gostei do teu comentário sobre o Dimárzio FT1, porém, acha que eu poderia ficar com single no braço? O que indicaria?

Um abraço

Iverson

josihell disse...

Aoew Rafael... Teste esclarecedor, parabéns... O fast track tem mais de um modelo... QUais são as diferenças entre esses modelos???

VAlew... Parabens pelo blog... tá excelente...

Anônimo disse...

Caro,
tenho uma guitarra semi-acústica bem antiga da gianinni, sem captadores. gostaria de comprar humbunkers para ela. meu irmão está vindo dos EUA e gostaria de encomendar um. alguma sugestão.
muito obrigado
peri

Adan disse...

Opa cara, muito bom oteu blog!
Eu queria que vc fizesse mais reviews de captadores de marcas nacionais, tais como a linha tradicional HB da Sound, os Cabrera e os outros do Sergio Rosar. Acho que a maior dificuldade pra maioria das pessoas que tocar guitarra é justamente encontrar algo que seja bom mas com um preço acessivel!
Um abraço!

harpsychord disse...

Cara muito legal mesmo, tudo. Concordo que tem ouvido pra tudo.
Fiquei interessado em ver que é de fortaleza, sou um guitarrista meio desiludido que umas vezes pensa em investir no som e em outras em vender tudo. Sou de Fortaleza, mas moro no interior do Ceará, em Viçosa, queria saber onde que tu trabalha.
Tenho uma Washburn x24dlf e toco em uma bandinha de metal que achei por aqui, bem amadora, mas dá pra se divertir. As vezes dá mais raiva do que divertimento, mas a gente vai levando.
Apesar de a banda ser de metal meu gosto vai mais do rock,n roll ao hard rock. Não quero que a guitarra vire uma monstra, mas não quero matar ela. Queria presença nos solos e também tem um belo som limpo. já Pensei muito no tone zone, mas não cheguei a uma definição. Assim que der levo ela aí.

Valeu
Manda resposta para:

andrezincarvalho@yahoo.com.br

Guga Hard Rock disse...

Olá Rafael

Gostei muito do seu blog e tenho algumas duvidas

Curto um Hard Rock e tenho uma Jackson PS-2 (HSS)

1. É uma boa guitarra? Preciso comprar outra pra conseguir uma sonoridade anos 80 (Hard Rock, AOR, Shred)

2. Encomendei um TB-6 da Seymour Duncan pra envenenar a criança e achei que seria interessante colocar o Fast Track 1 também, qual vc me recomendaria pra fechar o set?

Meu e-mail é gugahardrock@yahoo.com.br
Agradeço a ajuda sou bastante leigo em timbres e sonoridades

Abraço

Rafael disse...

Olá a todos,gostaria que tratasse meu problema em um post sobre tele (n vejo muitos) estou precisando de uns conselhos. Tenho uma Squier Tele California. Troquei os captadores por Braço (tele humbucker malagoli) e ponte (tele vintage plus) e fiz um push-pull no potenciômetro do volume. Troquei principalmente pq não conseguia ouvir os agudos dela com a banda. ok, melhorou bastante. Mas o ouvido melhorou um pouco e já estou ficando incomodado novamente. Enfim, gostaria de colocar um mini-humbucker na ponte (JB, dimarzio DP181-DP182), substituir o humbucker do braço e colocar 2 push-pull pra defazar ambos. Qual captador posso usar (nitidez)? Qual potenciômetro escolher log, linear e de quantos K e marca?
P.S.: quando mudei o captaor single para humbucker no braço descobri que a madeira dela ja veio com o tamanho do humbucker, achei estranho...

Ajude aê,
e-mail:rafa_fio@hotmail.com

Rafael