segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Captador Clássico: Seymour Duncan JB (SH-4)


O velho Seymour Duncan conta uma história muito interessante: ele quis fazer uma guitarra para Jeff Beck nos anos 70 depois que a Les Paul que Jeff havia tocado no álbum Truth fora roubada. Jeff ainda não havia feito a transição para as Fender, então Seymour pegou uma velha Telecaster, tirou sua escala de maple e colocou uma escala bem grossa de jacarandá. Ele colocou trastes Gibson. Sua intenção era fazer um braço parecido com o braço gordo da Les Paul de Jeff. A eletrônica era comum, exceto pelos captadores: Seymour tirou os PAF quebrados de uma Flying V que era do bluesman Lonnie Mack e os enrolou a mão. Ele quis fazer um captador de ponte com bobinas simétricas e saída mais alta, mas com o imã alnico do PAF. O resultado foi um captador de saída em milivolts alta, que alcançava uma faixa de médios ampla e que gritava com agudos berrantes se colocado numa guitarra muito aguda – esse é, até hoje e com poucas alterações, o Seymour Duncan JB. A sigla JB quer dizer Jeff Beck. O captador não se chama Jeff Beck por razões contratuais com o velho Jeff e não sei a razão disso. Para todos os fins eles passaram a dizer depois que JB quer dizer Jazz & Blues, o que é uma tremenda besteira.

Ao longo desses anos eu tive vários captadores desse modelo. Já devo ter instalado em uma dúzia de guitarras que eu tive e numas 25 guitarras de clientes – afinal, o JB é a primeira opção de upgrade das guitarras de 70% dos roqueiros. O principal motivo da popularidade do JB é o marketing que foi feito sobre ele – embora hoje a Duncan pareça concentrar seus esforços de marketing em popularizar sua linha de pedais.

Uma das coisas que aprendi sobre esse captador é que os resultados dependem muito da combinação com a guitarra. Claro que todos os captadores são assim, mas qualquer captador que tenha alguma freqüência exagerada vai depender da guitarra, do amp e do guitarrista para equilibrar isso.

No caso do JB, saiba que os graves podem desaparecer se você colocá-lo numa guitarra que timbre muito rachadiça. E saiba também que você vai ter uma estranha ponta de agudos. É como se o JB não fosse propriamente um captador com muitos agudos, mas há uma pequena faixa específica em que ele fala muito alto - alto demais e esse é o problema pra mim. Pode ser que você goste dessa faixa exagerada ou que você tenha uma guitarra e um amp que suavizem isso, mas nunca consegui me livrar dessa pontinha de agudos cortantes.

Outra coisa que você terá em abundância são os médios. Amigos, não são quaisquer médios. É um PAREDÂO de médios. Posso estar errado e ficando surdo, mas escuto o som do JB como se a faixa de médios fosse ampla e alta, muito alta.

Os resultados dessa massa sonora sempre foram complicados nos meus ouvidos. Eu sempre gostei de ouvir outros guitarristas com JB e isso é que é o estranho. Pode ter certeza que o JB estava em alguns dos melhores sons de guitarra que você já ouviu – de Marty Friedman a Paul Stanley, para não falar do cara que é pra mim o Santo Graal do timbre: Michael Schenker. Os melhores resultados que já obtive com o JB não foram com guitarras minhas. Um deles foi numa Epiphone Les Paul Custom de um cliente. Nela a famigerada pontinha de agudos pareceu ser domada e os graves marcaram mais presença. Os médios continuavam lá, mas me pareceram estruturar o ganho de maneira mais redonda. A outra guitarra em que o JB falou muitíssimo bem foi numa ESP Kirk Hammet de um cliente que não estava mais satisfeito com o som dos EMG originais. Eu tenho que admitir que o som dessa guitarra ficou simplesmente absurdo.

Mas o fato é que eu percebo no JB mais do que eu qualquer outro Duncan o “DNA” da Seymour Duncan, que me parece muito derivado do “DNA” Gibson, com aqueles agudos “crocantes”, granulados. Nos meus ouvidos é como se a faixa mais aguda do som tivesse uma ardência “pipocante”. Desculpe se a descrição parece muito vaga, mas é difícil descrever isso. Como os captadores Gibson são quase sempre instalados em guitarras Gibson, as pessoas têm dificuldades em perceber ardência ou a granulação. Essa característica dos Duncan me incomoda muito em certas guitarras. E o JB – que além disso tem aqueles agudos cortantes e os médios que atravessam qualquer coisa – acabou sendo um captador quase maldito pra mim. Eu tenho 3 JB na minha coleção. Um deles tem nickel cover e coloquei-o na ponte da minha Santana SE há um tempo atrás. Os resultados de equalização foram legais, mas a maneira como o ganho dos agudos do JB se estrutura continuou me incomodando e preferi pôr o Seth Lover dela de volta no lugar.

Ora, mas é claro que devemos levar em consideração que essas características que me incomodam talvez sejam justamente as que você está precisando pra bombar o seu timbre! Quer fazer com que seus médios apareçam no meio da sua banda com mais clareza e força? Quer tirar o velho PAF da ponte da sua Les Paul para colocar um captador com saída mais alta? Quer que seus agudos fiquem mais cortantes para que o público ouça melhor seus tappings e legatos? Está cansado da distorção lisa dos Dimarzio? O JB na ponte pode ser a solução pra você.

A propósito: lembram daquela Tele que o velho Duncan reformou? Jeff usou-a em Cause We’ve Ended As Lovers. Para bom entendedor…

- Preferi usá-lo para: instalar nas guitarras dos clientes e vê-los satisfeitos.

- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que quero ouvir Michael Schenker pelo resto da minha vida, mas os três JB da minha coleção estão guardados numa gaveta.

26 comentários:

josihell disse...

Valew pelo post... Mais uma vez vc detonou... Parabéns...

Eric disse...

muito bom review.
por várias vezes fiquei muito tentado a comprar esse captador, mas acabei desistindo por causa do "paredão" e por gostar de um grave mais carnudo, então acabei comprando um similar feito a mão com essas caracteristicas "consertadas" (Bare Knuckle Holy Diver).
mas entre os Seymour, sem dúvidas o JB e o Custom são os meus preferidos.
abraço.

Rafael Gomes disse...

Onde eu encontro esses Bare Knuckle?

Eric disse...

http://www.bareknucklepickups.co.uk

tenho uma comunidade desses caps lá no orkut e sou moderador na comunidade seymour duncan pickups.
fala comigo lá!
abraço.

Premeditado disse...

Esse p.up é tão popular... a única vez q eu o experimentei foi numa yamaha de mogno mt boa até, q tinha ele na ponte e um 59 no braço. Me apaixonei pelo corpo e clareza do 59 e odiei o médio chapadão do JB. desde então nem cogito ele... e pelo jeito com razão!
Ae, quero ver o post sobre a busca do som de single sem hum (a primeira das 7 partes hehe)!
parabéns pelo blog!

Eric disse...

já eu, odeio profundamente o 59 por pelo menos uns 5 motivos :(

Rafael Gomes disse...

É, o 59 não é dos meus preferidos tb. Gosto de sons de braço mais transparentes e brilhantes.

Vou ver esses Bare Knuckle.

Longa vida à Zona!!!

Premeditado disse...

'Gosto de sons de braço mais transparentes e brilhantes'
Eu tb! Rafael, quais p.ups têm mais dessas 2 características? (que o '59, q a unica vez q ouvi achei tão bom?)

elber disse...

rafael muito bom o que falou a respeito do jb ! tem tudo haver! fala sobre o dimebucker tbm...

Rafael Gomes disse...

OS meus humbukers full size preferidos de braço de uns anos pra cá são o From Hell, o Jazz Model e tô testando e gostando muito do PAF Joe.

premeditado disse...

e não-full size?
já ouviu o cruiser neck? e o area 61?

Rafael Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael Gomes disse...

Dos humbucker em tamanho single o Cruiser é meu preferido. Eu recebi hj um Fast Track 1. Tb tenho um Hot Rails e um Duckbucker. Em breve eu faço o texto de algum deles.

Filipe disse...

ae rafas, como sempre mta informaçõa boa e um texto mto bem escrito

parabens mais uma vez pelo blog

Eduardo S. de Araujo disse...

E aí cara, eu li os reviews e compreendo que são as tuas impressões sobre os produtos, mas não discordo, até porque nunca testei nenhum desses captadores. Aliás, confio na tua experiência e sinceridade, tanto que vim pedir tua opinião sobre o seguinte:


Tenho uma guitarra Tagima Zero (modelo antigo) e gostaria de tirar um som encorpado, de presença em solos e bases, quente, sem ser estridente e sem ser muito abafado, da posição da ponte.
O JB eu já não cogito muito utilizar, o Super Distortion ainda não me convenceu, inclusive quando ouço o som dos DiMarzio (Satriani, Steve Vai, DragonForce, Paul Gilbert, Richie Kotzen) não acho ruim, porém para o som que eu quero tirar me parece que falta um leve rasgado na palhetada e aquele "liso" do som me dá a sensação de algo plastificado. Eu ainda estou pensando sobre um Evolution ou que sabe um Super Distortion, mas ñ com tanta empolgação a respeito. Investiguei os ativos da EMG, mas duas coisas me fazem repensar sobre eles: a possível não-versatilidade do captador pela saída forte que tem e, as minhas economias irem fora com o consumo periódico de bateria. Tem, nessa opção, o EMG HZ H4 que é passivo, mas diz no site da marca (suspeito de marketing) que é equivalente ao 85 ativo. Aí já não sei se vale tanto, mas ainda assim parece ser uma boa opção, visto que eu gosto de rock e metal e procuro um som no estilo. Só ainda segue a questão da versatilidade.

Gostaria de saber o que tu me sugere, se é que teve paciência de ler tudo...hehe!

Muito obrigado e parabéns pelo blog que pode crer, está me ajudando muito e com certeza vários outros guitarristas!

Rafael Gomes disse...

Rapaz, verifique a resenha do PATB. Talvez ele seja o q vc procura.

Quanto aos ativos, algumas considerações:

1- o consumo de bateria é muito baixo;
2- se vc for colocar ativo na ponte, terá q colocar o do braço tb .Não dá pra misturar ativos e passivos num só instrumento pq os valores dos pots não são os mesmos.

Junior disse...

Tô colocando um jb jr na ponte e um dimarzio vintage blues no braço da minha strato pra ver o resultado. Mas de uma coisa o Rafael tem razão o som que o michael tira naquela Flying V é foda!

RAFAEL NUNES disse...

AMIGO TEU BLOG É MUITO BOM EU ACOMPANHO DIRETO.....E ESTOU AGUARDANDO SUA ANALISE SOBRE O SEYMOUR DISTORTION (SH-6)........

ABRAÇO

Sidney disse...

Rafael,
Gostaria que vc enviasse seu endereço de email e Orkut para contato.
O meu é sidney9002@hotmail.com

Bruno gozzi disse...

Olá Rafael, encontrei seu blog hoje, e li algumas resenhas! Muito bom o texto, e me esclareceu muito (especialmente sobre o cap JB). Atualmente estou procurando informações sobre 2 modelos da Duncan:

SH-PG1 Pearly Gates e APH-1 (penso em combinar os 2)

Você poderia me dizer algo sobre?
Se for possível, ficaria agradecido!

Bruno

Armando Areias disse...

Cara...
Tenho uma Epiphone Black Beauty, mas não gosto do captador da ponte dela... estou pensado em colocar um JB. Vc recomenda? Pra Rock, levando em consideração que eu gosto de tocar um Metal pesado de vez enquando?
Valeu
Abrc
Armando Areias

Douglas Dias de leon disse...

Amigo parabens pelo blog, muito esclaressedor, mas se possível gostaria de uma ajuda, estou comprando uma firebird da epiphone, e quero colocar um seymour , estou pensando em colocar o jb sh-4, tem algum mais indicado ou esse vai ficar bom???obrigado amigo.

Bernardo disse...

Simplesmente incrível sua descrição do JB e suas aplicações. Gostaria (se possível, é claro) que nos contasse um pouco também sobre outros clássicos pickups de alnico V que se mostram igualmente agressivos, como o Screamin´ Demon, custom V e 59´ da SD, e sobre alguns Dimarzio, como o fred, paf pro, além da linha ´Air´, que promete harmônicos tão incríveis quanto o anteriormente citado SD de George Lynch.
Sobre o JB, estou realmente entusiasmado em instalá-lo em minha jackson. Seu timbre natural é bastante grave, o que deve contrabalancear alguns exageros nos agudos e médio-agudos do cap. Quanto a pedaleira que uso, digitech GNX, parece ser bastante adequada ao uso com um cap agudo e de alta saída, visto que, ao contrário da Boss, ela tem um timbre mais balanceado e mais natural (menos digitalizado um pouco). O problema é que sou fã de amps vitage bastante agudos, do estilo tweed, o que pode acabar não casando bem com o JB. O que acha desse tipo de set? Tende a dar certo ou devo escolher um outro alnico V?

Anônimo disse...

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zozi disse...

Muito legal seu post. Acho que cheguei bem atrasado aqui hehe.
Eu sempre via pessoas falando dos agudos do JB e isso me fez escolher ele para substiuir o captador da ponte da minha telecaster deluxe 72, gosto do humbucker com agudo levemente acentuado, assim mesmo com distorções com um ganho alto eu consigo ainda perceber a pegada. Mas achei que ele tem muuito médio, como você falou, e acho que isso acabou mascarando os agudos que eu procurava, tem quase um som de latão. Acabei trocando os pots por um de 1M e o tone eu usei um pot no load. Deu uma melhorada, mas ainda não é o que eu queria. E me incomoda um pouco também que ele tem bastante ataque, mas não tem muito sustain.

Cara, muito legal seu blog, seguido acabo caindo aqui por causa das pesquisas no google.

Abraço.

Anônimo disse...

Olá tenho uma Yamaha pacifica 012 os caps são 1 H e 2 S eu queria que vc me fala-se 3 captadores um no meio,na ponte e braço(se der me diga tbm o preço) a minha preferencia e um som pesado mais que não diminua o volume das agudas e que de pra tocar nela com um som limpo(sem dirtoção)normalmente,e que não dificulte o som dos harmonicos(com distroção) vou Ficar de olho no site