quinta-feira, 24 de abril de 2008

Aos companheiros de cordas que acompanham meu blog:

Um guitarrista chamado Raziel (um cara gente boa e íntegro, de quem eu até já comprei um par de captadores) fez o seguinte comentário no post passado:

Prezado Rafael, você escreve reviews para os guitarristas, ou para alguma revista? Porque pra vc tudo é bom! Tudo é "usável", assim fica difícil amigo. Parece review de Guitar Player, tudo uma maravilha...
É só minha opinião, os outros reviews eu li todos, este eu nem vou ler, porque certamente vai ser a mesma coisa, ou é bom pra uso X ou pra uso Y...

Bom, eu realmente adoraria escrever testes e esclarecer tópicos importantes sobre eletrônica de guitarras em alguma revista do ramo por dois motivos: o primeiro deles é que depois de 10 anos batendo cabeça com isso eu me sinto gabaritado para tanto - não custa nada lembrar o tanto de gente que tem por aí escrevendo besteira em coluna de revista e até mesmo publicando “guias de captadores” entupidos de informações incorretas. O segundo motivo é que eu vejo todo santo dia nos fóruns da net e no balcão da loja pela qual sou responsável um monte de gente desinformada comprando gato por lebre e eu gostaria muito de oferecer a essas pessoas um meio simples, fácil, barato e até mesmo divertido de obter informações sobre nosso instrumento.

É por esses dois motivos que eu adoraria escrever uma coluna numa revista. Acontece que é por esses mesmos dois motivos que eu me autorizo a escrever nesse blog. Se eu não me sentisse capaz de contemplar um deles dois eu jamais teria feito o Zona do Humbucker.

O outro ponto que eu gostaria de comentar acerca do que foi dito é muito óbvio. É claro como a água que todos os timbres são utilizáveis! Não existe som ruim. Existe timbre mal empregado. Imagine que você toca numa banda de baile. Imagine você tem à sua disposição uma elegante Les Paul - com seu timbre redondo e polido - e tem uma B.C. Rich Warlock. Qual das duas você escolheria? É óbvio que a Warlock é uma boa guitarra, mas ela se presta a uma outra coisa. Ou será que você imagina ir ao um show do Sepultura e ver o Andreas com uma 335?

O fato é que eu evito ao máximo fazer comentários tipo “esse captador tem médios muito feios”. Ora, o que raio é um médio feio? Eu não uso nenhum aparelho de medir qualidade de captador. Não existe um “belezômetro” nem um “feiômetro”. Sempre que eu vou fazer algum comentário baseado no meu gosto pessoal eu faço questão que isso fique bem claro e que não sirva de referência pra ninguém.

Eu nunca quis fazer isso no blog, mas vou confessar: eu não usaria um monte de captadores que na verdade são bem famosos! Quer um exemplo? O JB não teria lugar em nenhuma guitarra minha, tanto que vendi 2 dos 3 da minha coleção no mês passado. Ora, mas e daí? 90% dos seres guitarrísticos do universo adoram esse captador! Eu mesmo adoro escutar Michael Schenker e o Marty Friedman - que usaram o JB por décadas! Eu vendi meu PAF Pro, pois para o meu gosto pessoal ele não tem brilho o suficiente pra ir pro braço e é muito desarticulado pra ir pra ponte. E tem um monte de gente por aí que tem o Pro e é muito satisfeito com ele. O que é que você quer que eu faça? Quer que eu chame todo mundo de surdo? Quer que eu diga que todo mundo que pensa diferente de mim tem mal gosto? Eu não posso fazer isso! Como guitarrista, como luthier e como gerente de loja eu tenho mais é que ficar feliz pelos meus colegas de instrumento estarem satisfeitos! Pra mim é só isso que importa.

A última coisa que eu quero dizer sobre seu comentário é que você não é obrigado a ler nenhum dos posts. Se o meu estilo de fazer textos não lhe agrada é um direito seu e você deve exercê-lo se lhe for conveniente. Apesar disso eu tenho muito orgulho em dizer que esse blog recebe quase 100 visitas por dia na semana em que eu publico textos - e na ocasião do texto sobre o JB ele recebeu mais de 260 num único dia. É por causa desse blog que hoje eu tenho um monte de companheiros que me mandam e-mails, recados no orkut, comentários aqui no blog e esses mesmos companheiros me compram e vendem captadores e outras peças. Isso me dá muito estímulo pra continuar escrevendo apesar da minha falta de tempo – afinal eu sou luthier, cuido da loja o dia inteiro, atendo na clínica durante a noite (pra quem não sabe: eu sou psicólogo) e ainda tenho que arranjar tempo pra namorar, estudar e lutar jiu-jitsu!


Dito isso, esbravejo: longa vida à Zona!!!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dimarzio Fast Track 1 (DP181)



Até um tempo atrás eu não dava nenhuma credibilidade aos humbuckers em tamanho single. Parte dessa descrença veio de experiências ruins que tive com os humbuckers em tamanho single da Seymour (os JB Jr. e Litlle 59 aí da vida). Tanto que demorei anos pra me interessar em testar os Dimarzio.

A idéia de fazer um captador com duas lâminas é mais velha do que andar pra frente, mas no caso desse tipo de humbuckers em tamanho de single da Seymour e Dimarzio há uma grande vantagem: como os imãs são pequenos, a atração magnética é reduzida e as cordas vibram com mais naturalidade. Isso melhora a entonação e sustain da sua guitarra. Além de tudo isso esses captadores deixam as guitarras com um aspecto mais moderno.

Eu ouvi o som do Fast Track 1 pela primeira vez numa guitarra de um cliente (uma lindíssima Washburn com configuração HSS com o FT1 no braço) que veio trazê-la pra regulagem. Olhei pra guitarra e pensei: “mais um dos pickups com som de plástico”. Mas essa impressão durou até o momento em que o cara plugou a guitarra e tocou pra me mostrar o quanto a guitarra estava mal regulada. O captador de braço soava como se fosse o single coil mais gordo e cheio de punch do mundo. Olhei pra ele com cara de idiota e perguntei que captador era aquele e ele disse que era o FT1. E olha que a Washburn parecia que tinha sido regulada por um açougueiro e as cordas estavam muito velhas.

No outro dia eu olhei o catálogo da Dimazio e não compreendi bem a proposta do FT1: o catálogo dizia que ele soava como “um single com mais músculos”. O problema é que eu ouvia os sons do Vinnie Moore e não entendi como um captador com pouco médio pode me parecer mais “musculoso”. E como ele usava todo aquele ganho sem que o captador engasgasse como os singles costumam fazer? Ainda mais no braço!

De qualquer maneira eu comprei um o quanto antes e testei nas minhas guitarras. Consegui aquele milagre daquela Washburn! A primeira coisa que me ocorreu ao ouvir os sons é que, sim, ele soa um pouco mais processado e artificial do que um Texas Special da vida, por exemplo. Mas ora, isso não é um problema. Se alguém resolve colocar um FT1 na guitarra é justamente por querer uma coisa diferente de sons “normais” de captadores vintage, concorda? Mas veja: essa característica é muito discreta, não é som de plástico como eu achava antes de conhecer o captador.

Ele tem graves mais magros que o normal pra não engasgar nas cordas graves da sua guitarra. Ele tem brilho o suficiente pra não desaparecer no meio da sua banda. Os médios dele parecem ter sido mais sequinhos de propósito: você pode estar usando distorção num nível de Slayer que o som de captador do braço sempre vai parecer mais limpo e sem gordura demais de médios pra embolar. Quando eu toquei com muito ganho eu entendi em pouco tempo as razões que levam os fritadores a ter um caso de amor com o FT1, mesmo ele não sendo um captador de ganho alto: o fato dos médios e graves serem mais sequinhos fazem com que o som fique claro e não apastelado e embolado. O ataque permanece sempre focado e o punch da palhetada é sempre bem nítido antes da nota começar a soar, os graves são muito consistentes e não são esponjosos (tá vendo como só como soar um pouco processado não é tão ruim?).

E você quer saber as melhores partes? Primeiro: diferente dos humbuckers em tamanho de single de ganho mais alto (Tone Zone S, Super Distortion S, JB Jr. e outros) o FT1 responde bem a dinâmicas de palhetadas e botão de volume. Segundo: timbra magnificamente com níveis médios e baixos de ganho. Terceiro: ele é tão transparente que o som da sua guitarra aparece claramente!

Se você gosta do som da sua strato mas quer um captador de braço mais ofensivo, experimente o FT1. Você poderá aumentar o ganho do seu amp mas o som de single continuará lá quando você usar o canal limpo ou recuar o volume da sua guitarra. Infelizmente isso não acontece com os outros captadores citados.

Testei o FT1 em um pourrilhão de guitarras e em absolutamente nenhuma ele soou mal. Tenha você um bom e velho PAF na ponte ou um Invader (pra citar dois captadores muito diferentes) e quer um captador de braço que te leva a muitas áreas de timbre diferentes sem sacrificar o som natural da sua guitarra, você deve testar um FT1.

Só mais uma observação: onde ele soou melhor foi no braço da Soraia, a minha famosa telecaster que pegou fogo e que timbra insanamente aguda e rachadiça. Coloquei fotos dela nesse post. Essa tele tem um Super Distortion T na ponte.

- Preferi usá-lo para: bombar stratos sem ter que trocar o escudo para colocar um humbucker normal.

- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que palhetadores compulsivos como eu podem ter no FT1 o seu melhor amigo pra posição do braço.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dimarzio Tone Zone (DP 155)


Muitos captadores que eu conheço foram criados com a proposta de timbrar delicados e detalhados – pra mim o Duncan Seth Lover e a linha Area da Dimarzio são exemplos disso. Eles foram feitos para guitarras equilibradas. Qualquer excesso ou falta de freqüências oferecidas pela guitarra fica claramente evidenciada no resultado final do timbre.

Há um outro tipo de captadores: os casca-grossa. O Tone Zone é um deles. Um verdadeiro brutamontes. Não há nada delicado nele. Ele tem muita saída, muitos graves, muitos médio-graves e muitos médios. Isso não significa que ele seja um captador sem brilho. O fato é que a Dimarzio ofereceu esse captador para guitarristas que tenham instrumentos com excesso de brilho. Ora, imagine uma guitarra com corpo de maple ou qualquer outra madeira vidrenta. Agora imagine um braço de maple ou marfim e com escala de maple, marfim ou ébano. Agora o golpe fatal: imagine que essa guitarra tem uma Floyd Rose. Amigo, você vai ter aí um monstro tão cheio de agudos e com um ataque tão cortante que provavelmente seus pobres ouvidinhos vão pedir clemência.

Eu já instalei alguns TZ em Ibanez RG de clientes e tive resultados muito bons. Algumas delas eram guitarras muito cortantes e o TZ ajuda a arredondar os agudos por meio de uma injeção de anabolizantes de freqüências médias pra baixo. As cordas graves soam bem gordas e as notas mais agudas não ficam doendo nos seus ouvidos. Power chords na região média da guitarra – como o batido riff de Smoke on the Water – ficam tão parrudos e com uma autoridade tão grande que você fica se perguntando de onde saíram esses médios todos. É como um cachorro bulldog: você fica se perguntando como uma porcaria daquele tamanho consegue ser tão marrento e impor tanta autoridade.

De todos os captadores que eu já testei até hoje o TZ é o que melhor timbra com ligações alternativas. Ele timbra engraçado no modo single – um tipo de caricatura interessante de um single verdadeiro – e é ótimo no modo em paralelo. Nessa ligação ele perde um pouco de ganho e adquire um brilho bem legal. Ou seja: fica ótimo para momentos em que você não quer tanta infrmação de freqüências baixas e nem o ganho enorme do modo em série. Eu cheguei a instalar o meu TZ na minha Horizon, mas os resultados não foram legais pq o corpo dela é de swamp ash, que já não tem lá muito brilho. Mas ficou melhor no modo em paralelo.

Uma característica bem legal do TZ é que você vai recorrer menos ao captador do braço para palhetadas malmsteeneanas na região aguda da guitarra. Ele define bem as palhetadas velozes sem engasgar os agudos como a maioria dos captadores de ponte fazem.

Nada impede que você o coloque em guitarras de projeto Gibson, mas saiba que vai haver pobreza nas freqüências altas. Se você quer muito ganho, se a sua guitarra timbra muito rachadiça e recuar o botão de tone não está te satisfazendo, tente o TZ. É numa guitarra dessas que ele cabe perfeitamente. Esse captador é bom demais.


- Preferi usá-lo para: domar guitarras excessivamente agudas, riffs bem gordos e abusados, bem como palhetadas velozes em apelar para o captador do braço.
- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que o bom de ser guitarrista é que ser marrento e abusado são características louváveis.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

HH777 - Hellbucker e Realbucker

Amigos,

Hoje a resenha é especial. É o teste de um captador feito no Brasil com grande qualidade e desenvolvido pelo Henry Ho em parceria com a Malagoli. É a primeira vez que tive a oportunidade de trocar idéias com o criador de um modelo de humbucker – e isso é uma honra, ainda mais se eu considerar que nunca vou poder conversar com o Seth Lover e que dificilmente vou conhecer o Bill Lawrence, Larry Dimarzio ou Seymour Duncan. Segue o texto e, em seguida, alguns comentários feitos pelo Henry sobre o meu texto.

Estou aqui na frente do meu computador vendo DVDs de MMA (joga MMA no Google e descubra o que é) e no meu colo há uma strato projetada por mim. O corpo dela é de freijó com um tampo de imbuia. O braço é de maple som escala de jacarandá. A ponte é a minha preferida: Kahler. Tem outro brinquedo legal nessa guitarra: o Fernandes Sustainer. Sabe outra coisa legal que está instalada nessa guitarra? Um captador HH777. Nada mal pra um aprendiz de guitarrista e aprendiz de jiu-jitsu ficar rolando o rock enquanto os caras lutam, ainda mais se há uma maquininha de rock’n roll na guitarra como o HH777.

Eu fiquei feliz quando soube que Henry Ho estava lançando seu modelo de captador, pois é óbvio que um grande produto estaria sendo colocado no mercado. Henry é um cara meticuloso, bom guitarrista e ótimo luthier - além de ser um cara muito legal. Um captador com sua assinatura só podia ser um grande produto.

Algumas coisas relacionadas ao gosto pessoal de Henry não são segredo pra gente: ele parece preferir stratos, gosta de rock e metal clássico, fã declarado do George Lynch e parece ter preferência por captadores Seymour – e como eu sempre achei que os modelos clássicos da Seymour têm um DNA Gibson, era natural que Henry usasse alguns pickups Seymour e Gibson como referências.

As primeiras coisas que achei muito legais foram a embalagem e o visual do captador. Há seis pólos de parafuso tipo fenda num lado e seis pólos de parafuso Allen. Claro, se você conhecesse captadores, verá que a Seymour (olha ela aí) tem um modelo com esse aspecto. Um doce pra quem adivinhar! É o Screamin’ Demon, captador signature do George Lynch.

Eu adoro o timbre do Screamin’, mas acho que ele grita alto demais nas freqüências mais agudas e ele tem pouco ganho pro meu gosto pessoal. Mas foi exatamente aí que Henry e os seus parceiros da Malagoli tiveram a lucidez e gentileza de me ajudar: criaram o Hellbucker, um captador cujo ganho se estrutura de maneira muito parecida com um Seymour clássico, que não é exagerado em nenhuma freqüência, com quantidade de ganho semelhante a um JB, articulado e preciso, com um visual matador e o mais impressionante: um preço imbatível.

Experimentei os meus em várias guitarras, mas o de ponte soou melhor na citada strato. É claro que você pode rolar Stones ou coisas do tipo, mas o captador implora por heavy metal e rock instrumental agressivo. Bases pesadas feito pedra ou riffs velozes tipo Megadeth vão sair com todo gás e solos “satrianísticos” com wah-wah soam vivos e atravessam o som da sua banda facilmente. Esse captador soa equilibrado nessa minha strato, mas eu evitaria instalá-lo numa guitarra aguda e rachadiça demais.

Até aqui falamos do modelo de ponte. O de braço não me inspirou tanto. Seu nome é Realbucker. Ele é exatamente o contrário do que eu tenho procurado em captadores de braço. O HH777 de braço tem uma quantidade de ganho razoável, mas soa gordo demais pro meu gosto, com pouco brilho e clareza. Todo dia eu sou sabatinado no balcão da minha loja por guitarristas que querem instalar a velha combinação JB + 59 e vocês lembram do que eu penso do JB (vejam a resenha do JB). O HH777 de braço me faz lembrar o 59 e isso é um problema pra mim. O meu raciocínio é: de que adianta ter um captador de ponte agressivo e com boa dose de ardência se esse som cortante fica apagado quando usamos o captador do braço? Na minha opinião fica difícil usar esses dois captadores juntos, pois espero que um captador de braço apenas me ajude a articular as notas de maneira diferente e não que faça um corte tão abrupto de brilho - e esse é o exato problema de se usar o JB e o 59 na mesma guitarra.

Isso é um defeito? Não. É apenas uma particularidade dos HH777 e esses captadores merecem que você dê uma chance a eles. Eu recomendo o modelo de ponte em guitarras mais mornas (ele deve soar matador numa Les Paul!) e usaria o de braço numa guitarra bem brilhante, pra equilibrar um pouco sua falta de brilho.

É um problema que Henry tenha utilizado os Seymour como referência? Eu sinceramente acho que não. Ora, você precisa de um Screamin’ Demon com mais ganho e menos agudos cortantes? Precisa de um JB sem aquele paredão de médios? Pois Henry e a Malagoli nos deram esse captador e seu nome é Hellbucker – com qualidade incrível e por um preço campeão.

Um pedido a Henry e seus parceiros da Malagoli: eu ficaria muito, muito feliz se vocês tivessem mais do que um ou dois modelos de captador. Seria maravilhoso se vocês tivessem uma linha diversificada de HH777 – sugiro um modelo de ponte ainda mais agressivo que o Hellbucker, talvez com imã cerâmico, além de um modelo de braço mais brilhante e transparente. Quanto mais modelos tiverem, maior o número de pessoas que poderão ficar satisfeitas com seus produtos – portanto, mais vendas. Mas eu insisto: Henry e a Malagoli merecem muito crédito por oferecerem um produto de qualidade tão alta.

Henry comenta:

A idéia era fazer um captador de braço próximo ao 59 Model (SH-1) da Seymour Duncan e 57 Classic da Gibson. Para a posição do braço, minha preferência sempre foi para fabricantes como Tom Holmes e Lollar. O Model 59 da Seymour para mim soa articulado mas falta uma ponta de ganho. Já o Gibson 57 Classic é um captador muito legal, mas excede em médios e graves. O Realbucker utiliza o Alnico 5, evitamos o Alnico 2 para obter mais ganho e produzir um agudo mais atrevido.

Em termos de ganho, o Realbucker tem um incremento adicional que proporciona mais ataque e menos compressão. Neste quesito, o pickup possui similaridades com o Virtual Hot PAF da Dimarzio. Na questão do timbre, o Realbucker é mais agudo que o Gibson 57 Classic. Talvez mais próximo ao Gibson Burstbucker 2. No que diz respeito ao 59 Model, o Realbucker é articulado tal qual o referido, porém apresenta mais presença.

O HH777 Hellbucker (ponte) não discrimina muito o tipo de construção na questão da interação com os elementos do instrumento. Seja uma Les Paul ou uma Stratocaster - é perfeitamente possível notar as características de cada guitarra adicionadas às características tonais do pickup. Já o Realbucker, a questão interativa é mais perceptível porque se trata de um captador de braço posicionado numa região de maior vibração das cordas e próxima a escala do instrumento.

É possível notar diferenças entre uma PRS e uma Les Paul, assim como numa stratocaster tradicional como numa guitarra tipo Jackson ou Ibanez. Muito mais ainda entre uma Stratocaster e uma Les Paul. Particularmente, gosto do Realbucker nas Stratocasters, mas nas Les Paul ainda sobram graves.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Se o alemão aí falou...















E sem os humbuckers, como faríamos o rock sem ruídos?


A caricatura veio do site do grande Bill Lawrence.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Seymour Duncan Parallel Axis Trembucker - PATB1


Esse foi um dos primeiros bons captadores que eu tive na minha vida - e tocar com ele me traz lembranças muito legais de quando eu estava batendo cabeça com minhas primeiras experiências com eletrônica de guitarra.

O visual do captador é muito legal: ao invés de 12 pólos, ele tem 24 lâminas paralelas. Portanto, você tem 4 lâminas “cercando” cada corda ao invés de dois pólos jogando atração magnética diretamente sobre ela. A Duncan afirma que a disposição dessas lâminas faz com o a corda vibre de maneira mais natural e que a captação do som aconteça de maneira mais detalhada. O resultado disso, segundo o fabricante, é um sustain maior e um timbre único, descrito no catálogo como “hi-fi”.

Averigüar o sustain de um captador é coisa complicada pra mim, pois sempre toco muito alto, com drive e com pouco ou nenhum noise gate – coisas que sempre aumentam o sustain. Então não tenho como avaliar precisamente se um captador favorece a sustentação das notas – exceto em casos em que o captador mata demais o sustain, como o Invader.

Por favor, não estou nem um pouco interessado na velha e chata polêmica do “Dimarzio timbra artificial e Duncan é mais vintage”. Isso não vem ao caso e não leva a nada. O fato é que, sim, a maioria dos captadores da Duncan soam um pouco mais “orgânicos” e a maioria dos Dimarzio são um pouco artificiais, mas o fato é que Steve Blucher e Larry Dimarzio focam seus esforços em oferecer um determinado tipo de som, enquanto Seymour Duncan e sua equipe têm produtos claramente inspirados nos Gibson, portanto perseguem outra timbragem. Veja que enquanto a Dimarzio oferece ótimas reedições dos antigos PAF e grandes singles vintage, a Seymour também oferece captadores de som mais moderno – como nosso amigo PATB aqui – o que pelo menos diminui com a polêmica acima descrita.

Mas como o que mais me importa é o timbre, saiba que o PATB me faz uma criança feliz. Ele é um Duncan que não persegue um som baseado em coisas vintage: nada de “organicidade” aqui. O foco desse captador é um som realmente um pouco sintético, com médios discretos e um timbre que, assim como o Fred (olha o som Dimarzio aí...), articula as notas de maneira diferente à medida em que você injeta ganho no som e é aí que está uma grande característica do PATB: ele foi um captador orientado para sons de alto ganho e os metaleiros o adoram (Kiko Loureiro usa o captador, assim como Richard Patrick, do Filter), mas ao contrário da maioria dos captadores orientados para metal, o PATB não soa murcho com níveis modestos de ganho. Pelo contrário. Ele soa muito consistente se você resolver usá-lo na sua banda de pop-rock. Enquanto o Fred fica cada vez mais pontiagudo à medida em que se aumenta o ganho, o PATB fica mais tangível, os feedbacks são controláveis, a distorção se torna cada vez mais agradável aos meus ouvidos e o sustain fica mais doce e cantante. Ele nunca vai soar pontiagudo, power chords violentos soam extremamente consistentes e você vai dar risada quando tocar riffs do Sabbath – os bicordes sinistros do mestre Iommy tocados com o PATB soam como se a tônica e a quinta fossem um só bloco sonoro sólido feito um tijolo.

Se você toca com afinações graves e/ou dropadas, vai adorar o PATB, pois seus médios mais sequinhos fazem a festa de quem desce o mizão e ajuda seu som a ter uma distorção agressiva e sem ser podre.

Não é todo dia que a gente encontra um captador com tantas qualidades e que soa tão bem em tantas situações timbrísticas. Minha única reclamação é, na verdade, uma solicitação: seria ótimo que o conceito de lâminas paralelas e timbre único fosse expandido a captadores de ponte para guitarras de ponte fixa – lembre-se de que o PATB é feito para guitarras com ponte Floyd, com espaçamento maior. Se você colocar um deles numa Les Paul você terá problemas de captação nas cordas mi. É uma pena. Esse timbre ia arrasar numa Les Paul. Se você usa guitarras com Floyd e quer detonar, vá pelo seu amigo aqui: o PATB é um captador muito especial.

- Preferi usá-lo para: riffs de metal industrial ou qualquer outra coisa que não precise de timbres "orgânicos", bem como afinações graves e/ou dropadas.

- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que "organicidade" não faz falta quando você quer devastar o planeta com um grande timbre.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Captador Clássico: Seymour Duncan JB (SH-4)


O velho Seymour Duncan conta uma história muito interessante: ele quis fazer uma guitarra para Jeff Beck nos anos 70 depois que a Les Paul que Jeff havia tocado no álbum Truth fora roubada. Jeff ainda não havia feito a transição para as Fender, então Seymour pegou uma velha Telecaster, tirou sua escala de maple e colocou uma escala bem grossa de jacarandá. Ele colocou trastes Gibson. Sua intenção era fazer um braço parecido com o braço gordo da Les Paul de Jeff. A eletrônica era comum, exceto pelos captadores: Seymour tirou os PAF quebrados de uma Flying V que era do bluesman Lonnie Mack e os enrolou a mão. Ele quis fazer um captador de ponte com bobinas simétricas e saída mais alta, mas com o imã alnico do PAF. O resultado foi um captador de saída em milivolts alta, que alcançava uma faixa de médios ampla e que gritava com agudos berrantes se colocado numa guitarra muito aguda – esse é, até hoje e com poucas alterações, o Seymour Duncan JB. A sigla JB quer dizer Jeff Beck. O captador não se chama Jeff Beck por razões contratuais com o velho Jeff e não sei a razão disso. Para todos os fins eles passaram a dizer depois que JB quer dizer Jazz & Blues, o que é uma tremenda besteira.

Ao longo desses anos eu tive vários captadores desse modelo. Já devo ter instalado em uma dúzia de guitarras que eu tive e numas 25 guitarras de clientes – afinal, o JB é a primeira opção de upgrade das guitarras de 70% dos roqueiros. O principal motivo da popularidade do JB é o marketing que foi feito sobre ele – embora hoje a Duncan pareça concentrar seus esforços de marketing em popularizar sua linha de pedais.

Uma das coisas que aprendi sobre esse captador é que os resultados dependem muito da combinação com a guitarra. Claro que todos os captadores são assim, mas qualquer captador que tenha alguma freqüência exagerada vai depender da guitarra, do amp e do guitarrista para equilibrar isso.

No caso do JB, saiba que os graves podem desaparecer se você colocá-lo numa guitarra que timbre muito rachadiça. E saiba também que você vai ter uma estranha ponta de agudos. É como se o JB não fosse propriamente um captador com muitos agudos, mas há uma pequena faixa específica em que ele fala muito alto - alto demais e esse é o problema pra mim. Pode ser que você goste dessa faixa exagerada ou que você tenha uma guitarra e um amp que suavizem isso, mas nunca consegui me livrar dessa pontinha de agudos cortantes.

Outra coisa que você terá em abundância são os médios. Amigos, não são quaisquer médios. É um PAREDÂO de médios. Posso estar errado e ficando surdo, mas escuto o som do JB como se a faixa de médios fosse ampla e alta, muito alta.

Os resultados dessa massa sonora sempre foram complicados nos meus ouvidos. Eu sempre gostei de ouvir outros guitarristas com JB e isso é que é o estranho. Pode ter certeza que o JB estava em alguns dos melhores sons de guitarra que você já ouviu – de Marty Friedman a Paul Stanley, para não falar do cara que é pra mim o Santo Graal do timbre: Michael Schenker. Os melhores resultados que já obtive com o JB não foram com guitarras minhas. Um deles foi numa Epiphone Les Paul Custom de um cliente. Nela a famigerada pontinha de agudos pareceu ser domada e os graves marcaram mais presença. Os médios continuavam lá, mas me pareceram estruturar o ganho de maneira mais redonda. A outra guitarra em que o JB falou muitíssimo bem foi numa ESP Kirk Hammet de um cliente que não estava mais satisfeito com o som dos EMG originais. Eu tenho que admitir que o som dessa guitarra ficou simplesmente absurdo.

Mas o fato é que eu percebo no JB mais do que eu qualquer outro Duncan o “DNA” da Seymour Duncan, que me parece muito derivado do “DNA” Gibson, com aqueles agudos “crocantes”, granulados. Nos meus ouvidos é como se a faixa mais aguda do som tivesse uma ardência “pipocante”. Desculpe se a descrição parece muito vaga, mas é difícil descrever isso. Como os captadores Gibson são quase sempre instalados em guitarras Gibson, as pessoas têm dificuldades em perceber ardência ou a granulação. Essa característica dos Duncan me incomoda muito em certas guitarras. E o JB – que além disso tem aqueles agudos cortantes e os médios que atravessam qualquer coisa – acabou sendo um captador quase maldito pra mim. Eu tenho 3 JB na minha coleção. Um deles tem nickel cover e coloquei-o na ponte da minha Santana SE há um tempo atrás. Os resultados de equalização foram legais, mas a maneira como o ganho dos agudos do JB se estrutura continuou me incomodando e preferi pôr o Seth Lover dela de volta no lugar.

Ora, mas é claro que devemos levar em consideração que essas características que me incomodam talvez sejam justamente as que você está precisando pra bombar o seu timbre! Quer fazer com que seus médios apareçam no meio da sua banda com mais clareza e força? Quer tirar o velho PAF da ponte da sua Les Paul para colocar um captador com saída mais alta? Quer que seus agudos fiquem mais cortantes para que o público ouça melhor seus tappings e legatos? Está cansado da distorção lisa dos Dimarzio? O JB na ponte pode ser a solução pra você.

A propósito: lembram daquela Tele que o velho Duncan reformou? Jeff usou-a em Cause We’ve Ended As Lovers. Para bom entendedor…

- Preferi usá-lo para: instalar nas guitarras dos clientes e vê-los satisfeitos.

- O que me passa pela cabeça quando lembro dos timbres que ouvi: que quero ouvir Michael Schenker pelo resto da minha vida, mas os três JB da minha coleção estão guardados numa gaveta.